sábado, 14 de agosto de 2010

"Cala boca Galvão!" ?

Postado originalmente em junho/2010

Eu sinto vergonha alheia, sinto ‘bullying’ alheio, sinto pena alheia. Sempre fui péssimo em enfrentamentos. E me sinto mal, se vejo alguém sendo enfrentado. Para ter noção do quanto me incomoda esse tipo de coisa, toda essa campanha do “cala boca Galvão”, me deixa desconfortável. Tudo bem, admito que ele fala muita bobagem, mas qual o narrador que não fala? Eu acho que ver o jogo pela TV acaba sendo muito mais fácil para identificar certos lances e/ou jogadores, cuja narração incorreta nos tira do sério. E a eloqüência, a dicção? Isso não deve ser valorizado? Além do fato de que nós que assistimos futebol, convivemos e conhecemos três, no máximo quatro times/ seleções. Já pensaram em quantos times os narradores têm que conhecer e narrar seus jogos?
Uma das frases mais postadas em orkuts, twitters, tumblrs, etc., é a clássica “falar é fácil, difícil é ser eu” (sic). E todos nós adoramos dizer isso quando falam do nosso comportamento, pensamento, atitude e etc. Porém, quando vamos criticar alguém, muito dificilmente paramos para pensar nas dificuldades que a pessoa tem, no trabalho realizado por ela, na história pela qual passou, entre outros aspectos. Preferimos martelar os aspectos negativos alheios.
E é isso que me incomoda. A crítica leviana, ainda mais quando o criticado não tem a menor chance de se defender. Há quem diga que ele não tá nem aí pra isso, tudo bem, certo ele. O que me entristece não é a ‘agressão’, e sim a dificuldade em reconhecermos as qualidades alheias e a facilidade que temos para desqualificar qualquer pessoa que esteja exposta, principalmente na mídia.
Reclamamos de tudo, mas não temos a dignidade de olhar para o nosso próprio umbigo antes de lançarmos palavras ásperas ao vento.

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